Operação Amparo: quatro mulheres são resgatadas de clínica de reabilitação investigada por suspeitas de abusos e maus-tratos em Montes Claros

A operação é uma iniciativa da Polícia Civil de Minas Gerais voltada ao enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher neste mês de Agosto.

Operação Amparo: quatro mulheres são resgatadas de clínica de reabilitação investigada por suspeitas de abusos e maus-tratos em Montes Claros
Operação Amparo: quatro mulheres são resgatadas de clínica de reabilitação investigada por suspeitas de abusos e maus-tratos em Montes Claros

Por :Webterra

Quatro mulheres, sendo duas menores de idade, foram resgatadas durante a terceira fase da operação Amparo da Polícia Civil realizada na manhã dessa sexta-feira (28), em uma clínica de recuperação na zona rural em Montes Claros, no Norte de Minas.

A operação é uma iniciativa da Polícia Civil de Minas Gerais voltada ao enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher neste mês de Agosto.

Segundo a delegada responsável pela operação, Karine Maia, a clínica era considerada irregular e já estava sendo investigada.

“Nós resgatamos vítimas que estavam sendo maltratadas dentro de uma clínica de tratamento de recuperação. Uma clínica completamente irregular e que a gente já estava investigando há algum tempo.”

Ainda de acordo com a delegada, os policiais encontraram na clínica cerca de 17 mulheres.

“Encontramos um cenário muito triste de mulheres maltratadas, relatando abusos sexuais e, portanto, vão ter aí possíveis mais quatro prisões em flagrante também com relação a essa operação de hoje”, disse a delegada.

Durante a operação na clínica, outros órgãos também foram acionados para acompanhar a situação encontrada no local.

“Acionamos a Vigilância Sanitária, que está no local, a assistência social, o Conselho Tutelar, porque tinha menores junto com maiores. Então ainda temos os desdobramentos no decorrer do dia”, disse.

Além da clínica, a polícia civil cumpriu outros mandados de busca e apreensão. Em Montes Claros, a operação mobilizou 63 policiais civis e 23 viaturas. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão.

Segundo a delegada, os mandados de prisão estão relacionados a casos considerados graves, como violência doméstica.

“São casos graves, possíveis casos que poderiam chegar a um homicídio, descumprimento de medidas protetivas e violência reiterada.”

Duas pessoas foram presas e quatro foram conduzidas durante a ação na cidade.

Dia D da operação em cidades da região

A operação acontece durante todo o mês de Agosto, mas nesta sexta-feira (28), foi realizado o Dia D da Operação Amparo, que contou com 90 policiais civis nas cidades de Januária, Taiobeiras, Janaúba e Montes Claros.

Ao todo, só nesta sexta-feira (28), foram cumpridos 10 mandados de prisão, com duas prisões em Montes Claros, além de 19 mandados de busca e apreensão.

Além das prisões e das medidas protetivas, as forças de segurança também realizaram mais de 33 visitas tranquilizadoras a mulheres vítimas de violência. As visitas foram feitas pela Polícia Militar.

“A ação conjunta visa à repressão qualificada ao crime de violência doméstica e familiar contra a mulher, mas busca também o acolhimento e a prevenção", disse  o chefe do 11º Departamento, Dr. Jurandir Rodrigues César Filho.

Balanço da Operação durante o mês de agosto Em coletiva realizada na manhã dessa sexta-feira (28), o delegado Jurandir Rodrigues César Filho, explicou  que a operação Amparo que ocorre durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher,  já apresenta números expressivos em todo o Norte de Minas.

Em todo o mês de agosto, nas regionais de Januária, Taiobeiras, Janaúba e Montes Claros foram realizadas 72 prisões e 121 pedidos de medidas protetivas de urgência, visando acolher as mulheres.

Mais mulheres estão denunciando

A Polícia Civil também percebeu um aumento no número de mulheres que procuram as autoridades para denunciar agressões. Segundo a delegada Karine Maia, esse crescimento está relacionado, em parte, ao maior incentivo para que as vítimas rompam o silêncio.

“Nós temos um maior número de pessoas denunciando, de mulheres denunciando, porque existe um incentivo hoje muito maior para que ocorra a denúncia.”

Apesar disso, ela alerta que o aumento das denúncias não significa que a violência tenha diminuído.

“Ainda não conseguimos efetivamente diminuir o índice de violência contra a mulher, porque não conseguimos colocar em prática a Lei Maria da Penha como ela deveria.”