Caso Master: acionistas do BRB aprovam acionar Justiça contra ex-gestores por levar banco à crise
A instituição pública fez transações de R$ 30 bilhões com o banco de Daniel Vorcaro. BRB estima que ao menos R$ 8,8 bilhões são títulos podres
Por Renato Alves
BRASÍLIA – Acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovaram nesta segunda-feira (24/8) acionar ex-diretores na Justiça como responsáveis pelos prejuízos causados à instituição pública por causa dos negócios com o Master e a Reag.
A decisão foi tomada em assembleia extraordinária. Além de Paulo Henrique Costa, o presidente do BRB na época em que os negócios foram fechados, os acionistas querem a responsabilização de outros ex-gestores do banco.
“A autorização atende Artigo nº 159 da Lei nº 6.404/1976 e não representa definição prévia de responsabilização de pessoas específicas. A deliberação durante a AGE é um rito procedimental essencial para que sejam continuadas as apurações de responsabilidade por parte da Polícia Federal e demais órgãos investigativos”, afirmou o banco em nota.
Ou seja, não há definição de quem seriam esses ex-gestores. O certo é que Paulo Henrique Costa já enfrenta investigação da Polícia Federal (PF), está preso, e o BRB encontra-se em crise por causa de negociações e operações realizadas com o Master em 2024 e 2025.
A instituição pública fez transações de R$ 30 bilhões com o banco de Daniel Vorcaro. O BRB estima que ao menos R$ 8,8 bilhões são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.
Além dessas negociações, o BRB, que tem o GDF como maior acionista, chegou a anunciar a compra de parte do Master. Negócio amplamente defendido pelo então governador Ibaneis Rocha (MDB). Mas o Banco Central (BC) vetou o negócio em setembro de 2025.
Foi a tentativa de compra do Master pelo BRB que levou a PF a abrir investigações contra Vorcaro, sócios e a cúpula do BRB. O dono do Master foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro, quando o BC liquidou o banco privado.
Depois de ser solto e preso em uma outra etapa da Compliance Zero, Vorcaro permaneceu trancafiado em uma cela da chamada Papudinha, unidade do Complexo da Penitenciário da Papuda, em Brasília, e destinada a policiais e presos “especiais” que aguardam julgamento.
No mesmo lugar está Paulo Henrique Costa, que foi presidente do BRB do primeiro dia da gestão Ibaneis, em janeiro de 2019, até ser afastado do cargo por ordem da Justiça, na primeira fase da Compliance Zero. Ibaneis deixou o governo em março para se candidatar ao Senado.
No entanto, a crise do BRB implodiu a candidatura de Ibaneis, que alegou desistência para se dedicar à vida privada. Ele sempre negou qualquer envolvimento com as fraudes do Master e Vorcaro. No lugar dele, assumiu a sua vice, Celina Leão (PSD), candidata a governadora.
Falta de balanço do BRB acende alerta sobre contas do governo do DF
A ausência de divulgação do balanço do BRB não só levanta dúvidas sobre a sua real situação como acende um alerta para as contas do Governo do Distrito Federal (GDF), administrador da instituição financeira.
A preocupação com o cenário foi exposta pelos conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que, na última quarta-feira (19/8), de forma unânime, suspenderam a avaliação das contas do Poder Executivo por falta de divulgação do balanço contábil do BRB.
Todos os conselheiros seguiram o voto do relator do caso, Paulo Tadeu, que apontou a impossibilidade de julgar as contas do governo sem saber a situação do BRB. O TCDF deu 30 dias para o Executivo explicar a falta de divulgação do balanço do banco público.
O BRB não divulga seu balanço patrimonial desde novembro de 2025, justamente em razão da fragilidade deixada pelas operações com o Master. A divulgação do balanço pode mostrar que o banco estatal está operando abaixo dos limites de segurança estabelecidos pelo BC.


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