Trump assina ordem executiva para renomear Lago Ontário como Lago América: 'Agora só falta o Oceano'

Mudança ocorre em meio à escalada da guerra comercial entre os dois países, com novas tarifas e ameaças de retaliação.

Trump assina ordem executiva para renomear Lago Ontário como Lago América: 'Agora só falta o Oceano'
Trump assina ordem executiva para renomear Lago Ontário como Lago América. — Foto: Evan Vucci/Reuters

Por Redação g1 — São Paulo
Em meio a uma crise diplomática e tarifária com o Canadá, o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, assinou nesta quinta-feira (27) uma ordem executiva estabelecendo que o Lago Ontário passe a se chamar Lago América.

➡️O Lago Ontário está entre os dois países e integra o conjunto dos cinco Grandes Lagos da América do Norte. Com uma área de cerca de 18,9 mil quilômetros quadrados, suas águas fazem divisa com a província canadense de Ontário e com o estado norte-americano de Nova York.

???? EUA e Canadá voltaram a ter a relação estremecida nos últimos dias, após Washington anunciar um aumento nas tarifas de alguns produtos canadenses. Na terça-feira (25), Trump já havia ameaçado a mudança de nome. Horas depois, o republicano publicou uma imagem do lago com o nome Ontário riscado e substituido por "lago América" (veja abaixo).

Trump fez a assinatura no Salão Oval da Casa Branca, em meio a jornalistas convocados para assistir o ato. Na ocasião, ele disse ainda que pode também "trocar o nome dos Oceanos".

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala à imprensa à frente de mapa indicando a mudança de nome do lago Ontário para lago América, em 27 de agosto de 2026. — Foto: Evan Vucci/ Reuters

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala à imprensa à frente de mapa indicando a mudança de nome do lago Ontário para lago América, em 27 de agosto de 2026. — Foto: Evan Vucci/ Reuters

 

“Então, se você parar para pensar, temos um golfo e temos um lago. Agora, tudo de que precisamos é de um oceano”, disse Trump em referência à renomeação, no ano passado, do Golfo do México para Golfo da América. “Então, talvez tenhamos de mudar o nome do Atlântico e/ou do Pacífico. Talvez nós os mudemos".

 

“Então, se você parar para pensar, temos um golfo e temos um lago. Agora, tudo de que precisamos é de um oceano”, disse Trump. “Então, talvez tenhamos de mudar o nome do Atlântico e/ou do Pacífico. Talvez nós os mudemos.”

A Casa Branca afirmou à imprensa que a ordem executiva determina que o Departamento de Interior dos Estados Unidos execute a mudança.

A Casa Branca não informou se mudará o nome dos lagos também em livros escolares e de pesquisa.

Guerra comercial

A mudança de nome ocorre em meio a uma guerra comercial entre os dois países, depois de um fracasso nas negociações entre Washington e Ottawa. Após o impasse, os EUA anunciaram novas tarifas sobre bilhões de dólares em produtos canadenses, enquanto o primeiro-ministro Mark Carney informou que o Canadá responderá com sobretaxas.

Na segunda (24), Trump também afirmou que pretende aumentar para 50%, a partir do próximo ano, as tarifas aplicadas a veículos e peças automotivas do Canadá. A medida teria impacto especialmente sobre Ontário, província que concentra parte importante da produção de aço e de automóveis do país.

O presidente norte-americano e o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, também vêm trocando críticas e ameaças. Ford já citou, entre possíveis respostas aos Estados Unidos, a interrupção das exportações canadenses de energia elétrica.

Idioma

Outro ponto de atrito envolve a língua francesa. Carney afirmou que os EUA buscaram incluir no acordo comercial medidas que poderiam enfraquecer as proteções ao francês, uma das duas línguas oficiais do Canadá. Trump negou a acusação em outra publicação feita nesta terça (25).

“Eu jamais interferiria no direito dos canadenses de falar francês! Na verdade, nunca sequer pensei em fazer uma coisa tão estúpida”, escreveu. Ele também acusou Carney de inventar a alegação para tentar recuperar apoio político em Quebec e declarou: “Eu amo os franco-canadenses!”

Segundo Mark Wiseman, embaixador do Canadá nos EUA, a divergência dizia respeito a serviços digitais e plataformas de streaming sediadas nos EUA e às regras sobre a quantidade de conteúdo em francês.

O cabo de guerra dos norte-americanos

A nova escalada ocorre também apenas alguns dias depois de os dois países indicarem que estavam próximos de um acordo.

Na terça-feira (18), Trump havia suspendido por três dias a aplicação das tarifas de 50%, alegando que EUA e Canadá tinham chegado a um entendimento preliminar. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, confirmou que havia "progressos substanciais" nas conversas.

As negociações, porém, fracassaram na noite de sexta-feira (21). As tarifas americanas entraram em vigor à 0h01 de sábado (22), no horário de Washington, sobre cerca de US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões) em produtos canadenses.

Em resposta, Carney anunciou que o Canadá aplicará tarifas "dólar por dólar" a produtos americanos. "Nos próximos dias, divulgaremos detalhes dessas novas medidas tarifárias, que entrarão em vigor na terça-feira seguinte ao Dia do Trabalho", afirmou o premiê em coletiva de imprensa.

Os países atribuem um ao outro a responsabilidade pelo colapso das negociações.

Golfo da América

No início de 2025, diante de embates com o México, Trump também mudou o nome usado pelo governo norte-americano para o Golfo do México para Golfo da América.

Até hoje, a medida tem mais impacto político dentro dos Estados Unidos do que prático. À época, durante coletiva de imprensa, a presidente do México, Claudia Scheinbaum minimizou o decreto e afirmou:

"Vale só para seu território continental. Para nós e para o resto do mundo inteiro segue sendo o Golfo do México".