Lula ignora fim da escala 6x1 e soberania nacional em sabatina do Jornal Nacional
Temas são dois dos principais trunfos eleitorais do presidente, que ainda espera aprovar PEC no Congresso Nacional
Por Levy Guimarães
BRASÍLIA - Na sabatina do Jornal Nacional, na quinta-feira (27/8), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou de citar dois dos temas prioritários de sua campanha à reeleição: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6x1 e a defesa da soberania nacional em meio ao tarifaço dos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
Nos últimos dias, Lula fez questão de enfatizar o avanço da PEC da escala 6x1 no Congresso nacional, após reunião com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O texto deverá ser analisado na semana que vem pelos senadores na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O presidente também colheu avanços nas negociações com os EUA sobre o tarifaço após ter conversado por telefone com o presidente americano Donald Trump, no dia 21 de agosto. Além disso, o programa de governo de Lula cita a soberania como eixo central em todas as esferas.
Contudo, durante a sabatina, Lula não citou nenhum dos temas quando teve a oportunidade, como nas considerações finais, quando afirmou viver “o melhor momento” de sua vida e ser o presidente da República com mais realizações em inclusão social e na educação.
O petista mencionou Trump quando foi questionado sobre segurança pública. Ele disse ter levado ao presidente americano “uma proposta em escrito” de cooperação com os EUA no combate ao crime organizado e ao narcotráfico.
Destaques da sabatina
Na entrevista, Lula foi questionado em relação aos três inquéritos da Polícia Federal que investigam suspeitas de corrupção de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha". O petista chamou as acusações de "ilações", mas voltou a afirmar que não irá usar o cargo para proteger o filho. E negou conhecer Roberta Luchsinger, apesar de aparecer em fotos ao lado dela nas redes sociais.
Sobre seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, Lula disse que o ex-auxiliar não agiu certo ao aceitar eventual empréstimo de Roberta Luchsinger, mas declarou que acredita na versão dele.
Lula também defendeu o senador Jaques Wagner (PT-BA), suspeito de envolvimento no caso do Banco Master”. “Até agora não está provado que o Wagner tem relação com o Banco Master. O Wagner tinha relação com o Augusto, que na época nem era do Banco Master. O que não posso admitir e aceitar é que eu possa fazer política vivendo de ilações todo santo dia. Você tem o processo, investigação, a apuração. As pessoas são inocentes até que provem o contrário”, disse.
Quando perguntado sobre outros temas, Lula disse que pretende "recuperar o território" do crime organizado e citou a PEC da Segurança Pública. Também afirmou não se preocupar com o crescimento da dívida pública, rejeitou a privatização dos Correios e exaltou feitos do governo na educação.


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