Presidenciáveis querem Brasil próximo da Ásia e EUA, fortalecer o Mercosul e deixar o Brics; veja propostas para política externa

Planos de governo dos cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto destinaram capítulos específicos à política externa.

Presidenciáveis querem Brasil próximo da Ásia e EUA, fortalecer o Mercosul e deixar o Brics; veja propostas para política externa
Montagem com fotos dos candidatos à Presidência: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) — Foto: Montagem/g1

Por Filipe Matoso, GloboNews — Brasília
As propostas dos candidatos à Presidência da República nas Eleições 2026 para a política externa do Brasil incluem a aproximação de países da Ásia e da África, dos Estados Unidos, fortalecimento do Mercosul e saída do Brics. (Veja as propostas de cada candidato)

Ao fazer o pedido de registro de candidaturas, os candidatos também apresentaram suas respectivas propostas para o governo.

Os planos de governo dos cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto – Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) – destinaram capítulos específicos à política externa.

Algumas das propostas são comuns aos candidatos, como:

  • ampliação de parcerias comerciais;
  • abertura de novos mercados para as exportações brasileiras; e
  • fortalecimento de alguns blocos econômicos, como o Mercosul.

Mas também há pontos de divergência. Lula, por exemplo, defende que o Brasil aprofunde as relações com o Brics. Zema, por sua vez, diz que vai retirar o Brasil do bloco se eleito. Renan Santos fala em ter uma relação mais "pragmática" com o grupo, reduzindo a dependência em relação à China, principal parceira comercial do Brasil.

Os candidatos também fazem referência à soberania nacional em seus planos de governo, defendendo, em linhas gerais, que o Brasil não tenha alinhamento automático com alguns países nem se deixe guiar por ideologias.
 

Veja as propostas dos candidatos mais bem colocados:

Lula (PT):

  • diversificar parcerias estratégicas;
  • abrir novos mercados;
  • aprofundar relações com países da África;
  • reaproximar de países da Ásia, do Oriente Médio e da Europa;
  • defender reforma do Conselho de Segurança da ONU e da OMC;
  • aprofundar relações com BRICS e G20.

Flávio Bolsonaro (PL):

  • abertura comercial (bens de capital, tecnologia e insumos);
  • evitar dependência excessiva em áreas críticas (como tecnologia);
  • avançar em acordos comerciais;
  • aderir à OCDE;
  • internacionalizar pequenas e médias empresas via BNDES e Apex;
  • receber investimentos estrangeiros para transição energética.

Ronaldo Caiado (PSD):

  • ampliar mercados;
  • atrair mais investimentos estrangeiros;
  • elevar complexidade tecnológica às exportações;
  • consolidar acordo Mercosul-União Europeia;
  • priorizar os mercados na Ásia, na África e no Indo-Pacífico;
  • mapear dependências e diversificar parceiros.

Renan Santos (Missão):

  • mediar conflitos na África;
  • estabelecer parcerias com países da Asean (principalmente Vietnã e Filipinas);
  • consolidar liderança na América Latina;
  • maior integração com países de língua portuguesa (a exemplo de Portugal, Angola e Moçambique);
  • reduzir a dependência do dólar;
  • estratégia pragmática no Brics, evitando ser subordinado à China.

Romeu Zema (Novo):

  • restabelecer parcerias com países do Mercosul, especialmente a Argentina;
  • aproximar-se de países da bacia do Pacífico;
  • isentar de visto turistas de países seguros;
  • sair do Brics;
  • aderir à OCDE;
  • flexibilizar estrutura do Mercosul.