Bolsonaro faz no Recife primeira agenda no NE após associar vitória de Lula na região a analfabetismo
Nordeste soma 42,3 milhões de eleitores e, no primeiro turno, Lula venceu nos 9 estados da região. Em discurso, presidente admitiu 'exagero' em declarações sobre Covid e pediu desculpas.
13/10/2022 10h01 Atualizado há 47 minutos

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Jair Bolsonaro, candidato do PL, faz campanha em Pernambuco
Candidato à reeleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpriu agenda de campanha nesta quinta-feira (13) no Recife (veja vídeo acima).
Esta é a primeira viagem de Bolsonaro ao Nordeste após ter associado a vitória de Lula (PT) na região no primeiro turno ao analfabetismo (leia detalhes mais abaixo).
O presidente desembarcou no Aeroporto Internacional Gilberto Freyre e seguiu para um hotel na Zona Sul da cidade, onde teve reunião com apoiadores. Em seguida, fez um pronunciamento aos apoiadores na área externa do hotel.
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Imagem aérea mostra momento do discurso de Bolsonaro para apoiadores em Boa Viagem, no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo
Durante o encontro na parte interna no hotel, Bolsonaro disse acreditar que fez "o possível" para combater a Covid-19 e pediu desculpas pelo "exagero" em declarações sobre a pandemia, mas defendeu a política adotada pelo governo.
O Brasil soma cerca de 700 mil mortes por Covid-19 e, durante toda a pandemia, Bolsonaro disseminou fake news sobre as vacinas, reiterou que não iria se vacinar e desrespeitou as orientações das entidades médicas e organismos internacionais.
"Acredito que tenha feito o possível para ajudar no combate à Covid. Houve, da minha parte, algum exagero por parte de algumas palavras. Peço desculpas, mas faz parte da emoção. Talvez da educação que eu tive em casa — bastante rígida, e agradeço a meus pais — e também dos 15 anos no Exército brasileiro", declarou o presidente.
Bolsonaro também voltou a defender itens da pauta conservadora e disse que o governo pode desonerar a folha do setor de saúde.
"Pedi para ele [Paulo Guedes] desonerar a folha [de pagamento] da saúde no Brasil, são 17 setores que já estão desonerados, e ele falou que eu poderia anunciar a desoneração da saúde no Brasil. O impacto é compatível. [...] A desoneração passa a ser de 1% a 4% do faturamento bruto da empresa. Vai ser vantajoso e vamos dar mais uma sinalização para questão do piso da enfermagem no Brasil", declarou o presidente.
Em razão da agenda de Bolsonaro na cidade, o Exército bloqueou parte da Avenida Boa Viagem, no Pina, na Zona Sul.
Apoiadores do presidente permaneceram em frente ao hotel onde Bolsonaro tem agenda e, enquanto aguardavam a chegada do candidato, entoaram músicas contra o PT e o ex-presidente Lula.
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Candidato à reeleição, presidente Jair Bolsonaro (PL) cumprimenta apoiadores no Recife (PE) nesta quinta-feira (13) — Foto: Priscilla Aguiar/g1
Vitória de Lula no Nordeste
O segundo turno está marcado para o próximo dia 30. E a viagem de Bolsonaro a Recife é a primeira do presidente ao Nordeste desde a polêmica em que relacionou a vitória de Lula (PT) nos estados da região no primeiro turno ao analfabetismo de parte da população.
Ao todo, no primeiro turno, Bolsonaro venceu em 13 estados, e Lula, em 14 estados. Desses 14, nove estados são da região Nordeste. A região soma 42,3 milhões de eleitores e fica atrás somente do Sudeste (66,7 milhões de eleitores).
No último dia 5, três dias após o primeiro turno, Bolsonaro disse: "Uma notícia importante, pessoal: 'Lula venceu em nove dos dez estados com maior taxa de analfabetismo'. Vocês sabem quais são esses estados? São do nosso Nordeste. Não é só taxa de analfabetismo alta o mais grave nesses estados. Outros dados econômicos agora também são inferiores nessas regiões."
A declaração gerou repercussão negativa para o presidente em meio à disputa do segundo turno. Lula pediu a quem tem "uma gota" de sangue nordestino que não vote em Bolsonaro.
Diante da repercussão negativa, Bolsonaro disse que não atacou os nordestinos.
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Candidato à reeleição, presidente Jair Bolsonaro (PL) participa de agenda de campanha e discursa no Recife, nesta quinta-feira (13) — Foto: Priscilla Aguiar/g1
No pronunciamento a apoiadores nesta quinta-feira, Bolsonaro disse que "corre sangue de cabra da peste" na filha dele.
"Aqueles que falam que eu não gosto de nordestino, fiquem sabendo que a minha princesa, dona Michelle, é filha de um cabra da peste do Ceará. Sou apaixonado por uma nordestina. E a minha filha, em suas veias, corre sangue de cabra da peste", afirmou Bolsonaro.

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Ipec: Lula tem 51% no 2º turno, e Bolsonaro, 42%
Relação com o Centrão
À tarde, Bolsonaro participou de um encontro com líderes religiosos. Ele discursou por cerca de 40 minutos e defendeu a relação do Executivo com parlamentares do chamado Centrão – conjunto informal de congressistas conhecido por dar sustentação ao governo, indicar cargos no Executivo e ter maior participação nas indicações de recursos orçamentários.
O candidato do PL à reeleição lembrou que já foi filiado ao PP, um dos partidos que integram o grupo. Ele disse ainda que nem todos congressistas do Centrão podem ser "rotulados" como "bondosos". E que a maioria da Câmara é formada por "pessoas de bem".
"Eu já fui do Partido Progressista. Não podemos rotular todo mundo de bondosos – se bem que eu vejo, a maioria da Câmara, pessoas de bem. E, de forma jocosa, se apelida alguns partidos de Centrão. O que que é isso?", declarou Bolsonaro.
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Candidato à reeleição, presidente Jair Bolsonaro (PL) discursa em encontro com apoiadores no Recife (PE) — Foto: Reprodução
Pesquisas eleitorais
As pesquisas de intenção de voto no segundo turno têm mostrado Bolsonaro em segundo lugar, atrás do ex-presidente Lula (PT).
Levantamento Ipec divulgado no último dia 10, por exemplo, mostrou Bolsonaro com 42% das intenções de voto (45% dos votos válidos), enquanto Lula apareceu com 51% das intenções de voto (55% dos votos válidos).
O colunista do g1 Valdo Cruz informou que, para a campanha de Bolsonaro, a eleição ainda está "em aberto", mas que o atual presidente da República precisa evitar cometer erros que tem cometido, entre os quais ameaçar o Supremo Tribunal Federal e conceder entrevistas em tom destemperado.


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