Caiado minimiza críticas, mas afirma que Flávio Bolsonaro deve explicar acusações
BRASÍLIA - O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) minimizou as recentes críticas ao também pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas afirmou que o senador deve explicações diante das acusações contra si. O ex-governador de Goiás esteve em Trindade (GO), a 26 quilômetros de Goiânia, em agenda de pré-campanha neste sábado (18/7).
Caiado culpou o próprio Flávio pelos problemas em que está envolvido. “Na verdade, esses problemas todos foram construídos por ele. Ele é realmente quem precisa se explicar. O que está acontecendo das denúncias de rachadinha, de Banco Master ou de problema patrimonial não fui eu quem criei”, ressaltou, quando questionado quem seria seu principal adversário.
Apesar de ter classificado algumas das acusações como “injustas”, o ex-governador avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer enfrentar o senador no 2º turno justamente em razão das suspeitas. “O que está claro é que, lógico, o PT deseja cada vez mais tê-lo como o candidato do 2º turno, porque tem certeza que ele ficará explicando todas essas denúncias”, apontou.
Ontem, o pré-candidato do PSD à Presidência voltou a criticar o pedido de Flávio ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para adiar o tarifaço de 25% sobre as importações brasileiras para depois das eleições. Caiado se referiu à manifestação como de uma “infelicidade ímpar”.
O ex-governador já havia ironizado a iniciativa do pré-candidato do PL à Presidência em ler a íntegra de uma carta assinada pelo pai e ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no último sábado (11/7). “Flávio Bolsonaro, 45 anos, leu uma carta do pai ao vivo para dizer que está pronto para ser presidente. É isso… ”, escreveu, no X.
Caiado ainda disse que o eleitor não quer um presidente que “precisa de aval constante de outra liderança”. “Pense numa crise envolvendo Venezuela, Bolívia ou Argentina. Nesse momento, ninguém pode ter dúvida sobre quem manda, muito menor imaginar que o presidente precisa primeiro ouvir alguém antes de agir”, concluiu.
A pré-campanha de Flávio atravessa uma crise desde que o “Intercept Brasil” revelou que o sócio-fundador do Banco Master Daniel Vorcaro deu cerca de R$ 61 milhões para a cinebiografia de Bolsonaro, chamada “Dark Horse”. Preso no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), a Papudinha, Vorcaro teria transferido o valor em seis parcelas, entre fevereiro e maio de 2025.
Os R$ 61 milhões seriam parte dos R$ 134 milhões inicialmente negociados entre o senador e o sócio-fundador do Master. Os valores teriam sido depositados pela Entre Investimentos e Participações Ltda. no fundo Havengate Development, controlado pelo advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) Paulo Calixto.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) já denunciou o pré-candidato à Presidência por suposta rachadinha quando exercia o mandato de deputado estadual. O MPRJ ofereceu a denúncia após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta do então assessor de Flávio Fabrício Queiroz entre 2017 e 2018.
Queiroz teria recebido 383 depósitos em sua conta oriundos de 13 servidores do gabinete do à época deputado estadual. As hipóteses defendidas pelo MPRJ eram de que Flávio teria utilizado uma loja de chocolates localizada em um shopping no Rio de Janeiro (RJ) e compras de imóveis com dinheiro em espécie para lavar o dinheiro.


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