PF faz buscas contra desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspeitos de receber propina

PF faz buscas contra desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspeitos de receber propina
Polícia Federal faz operação para investigar advogados e desembargadores de Minas — Foto: Danilo Girundi/TV Globo
PF faz buscas contra desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspeitos de receber propina

Segundo o Ministério Público Federal, eles recebiam os recursos para atuar em favor de envolvidos no esquema.

Por Fernando Zuba e Ana Tereza Almeida, G1 Minas — Belo Horizonte

18/11/2020 06h56  Atualizado há 4 minutos   
 

Os desembargadores Geraldo Domingos Coelho e Paulo Cézar Dias do Tribunal de Justiça de Minas Gerais são alvos de busca e apreensão na operação Cosme do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF). A ação investiga o recebimento de propina para influenciar na solução e no andamento de processos judiciais. Ao todo serão cumpridos 10 mandados.

G1 tentou contato com os desembargadores, por meio do TJMG, mas até a última atualização desta reportagem não havia retorno.

Segundo a PF, foram apreendidos R$ 50 mil na casa do advogado Luiz Carlos de Miranda Faria, ex deputado estadual e parte do conselho da Usiminas. Além disso, durante as buscas também foram apreendidas várias provas que colaboram para o esquema.

Ainda de acordo com a PF, são sete investigados que para conseguir os privilégios ofereciam retribuições financeiras e outras vantagens indevidas. Serão cumpridos seis mandados em Belo Horizonte, um na cidade de Ipanema, um em Engenheiro Caldas e dois no estado de São Paulo.

Além dos desembargadores, entre os alvos, está o advogado Ildeu da Cunha Pereira Sobrinho, que morreu em fevereiro deste ano. Ainda foi permitida a quebra de sigilo fiscal e bancários de vários investigados.

G1 tenta contato com o advogado Luiz Carlos de Miranda Faria.  

 

Provas encontradas

 

A operação desta quarta-feira é um desdobramento da Operação Capitu, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2018 que apurou a doação irregular de dinheiro para políticos e partidos, além de um esquema de arrecadação de propina dentro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.

O, então, vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), o empresário Joesley Batista, dono da JBS, e mais 15 foram presos na Operação Capitu por suposto esquema durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

A propina era paga por um grupo de empresários que se beneficiava de normativos editados pela pasta e que facilitava e viabilizava seus negócios comerciais, dando vantagens frente a outros concorrentes.

Ao analisar o material apreendido, os investigadores identificaram mensagens no telefone celular de um advogado, que indicavam a prática de diversos delitos, sendo alguns com participação de desembargadores do TJMG.