Estelionatário procurado por aplicar golpes em Minas Gerais é preso no Espírito Santo

Homem fingia ser investidor e pedia dinheiro para comprar veículos; uma das vítimas entregou o próprio carro e teve R$ 140 mil de prejuízo

Estelionatário procurado por aplicar golpes em Minas Gerais é preso no Espírito Santo
Mandado judicial de prisão preventiva enquadrou a conduta do investigado no artigo 171 do Código Penal (estelionato) Foto: Divulgação/PCES

Por :André Willis

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu, em 16 de julho, Diego Vinícius Mariano dos Santos, de 36 anos, em cumprimento de um mandado de prisão preventiva expedido em fevereiro de 2026 pela 1ª Vara das Garantias da Comarca de Belo Horizonte. O suspeito era investigado por aplicar golpes de estelionato na capital mineira, na Região Metropolitana, em Ouro Preto e em Mariana.

O homem foi localizado em uma rua do bairro Santa Mônica, em Guarapari, durante uma operação conjunta entre a Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) e a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso (DPCAI).

Modo de agir

De acordo com as investigações, o homem se apresentava como investidor do ramo automotivo para se aproximar de conhecidos, vizinhos e membros de igrejas. Após conquistar a confiança das vítimas, ele as induzia a realizar aportes financeiros com promessas de altos rendimentos e participação em lucros fictícios.

Assim que recebia os valores ou bens, o suspeito cessava contatos, bloqueava canais de comunicação, desativava suas redes sociais e mudava de município para fazer novas vítimas.

Como enganou a vítima

A reportagem de O TEMPO entrevistou uma das vítimas de Diego, que revelou o modo de atuação do estelionatário na maneira de atrair os investidores e a promessa de lucro na compra e revenda de veículos. Uma das pessoas lesadas é o servidor público Rômulo Humberto Correia de Souza, de 38 anos, que disse ter conhecido o estelionatário em ulho de 2025 por indicação de um amigo. 

Inicialmente, Rômulo recusou propostas para investimentos financeiros com retorno fixo de 2% ao mês, mas aceitou entrar no esquema de negociação de automóveis.

"Ele me ligava e falava: 'Estou com um carro aqui para a gente comprar no valor de R$ 70 mil. Já tenho um cliente para ele que paga R$ 80 mil. É só me mandar 70, eu vendo por 80: R$ 5 mil meu e R$ 5 mil seu' (...) No mês de outubro ele me pediu R$ 90 mil para comprar um carro, e falou que o retorno era de R$ 110. Dois dias depois me ligou pedindo mais R$ 50 mil, e entreguei", revelou.

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As transações aconteceram de forma regular até outubro daquele ano, quando a abordagem mudou e Diego passou a solicitar valores maiores alegando um aquecimento de mercado no fim de ano. Diante desse cenário, Rômulo entregou seu próprio carro, um T-Cross avaliado em R$ 100 mil, para ser vendido com a promessa de repasse integral do valor.

Quando o golpe veio à tona

O plano do acusado pelo crime de estelionato começou a ser desmascarado quando ele inventou justificativas para não realizar os pagamentos, alegando problemas com a Receita Federal e bloqueio de CPF, tendo até enviado fotos de dentro de agências bancárias para simular tentativas de regularização.

No dia em que desapareceu, enviou uma mensagem às 6h30 para Rômulo, a vítima do crime, dizendo que o celular estava descarregando; "durante a tarde eu descobri, através de outras pessoas que também haviam sido lesadas, que Diego havia fugido com a esposa, a mãe e o filho levando todo o dinheiro", disse Rômulo.

Prejuízos

Rômulo registrou boletim de ocorrência por apropriação indébita e conseguiu reaver o veículo judicialmente — descobrindo no processo que o suspeito o havia vendido por R$ 80 mil —, mas ainda amarga o prejuízo dos R$ 140 mil transferidos. Além disso, as vítimas suspeitam da participação de um primo do investigado, que atuaria recrutando investidores na região.

Investigações

A polícia apontou a existência de lesados em cidades como Belo Horizonte, Contagem, Betim, Santa Luzia, Ouro Preto e Mariana. A ação policial foi deflagrada após o cruzamento de dados e levantamentos de inteligência indicarem que o investigado estaria escondido no litoral capixaba e planejando continuar com os golpes no Estado do Espírito Santo.

O mandado judicial de prisão preventiva enquadrou a conduta do investigado no artigo 171 do Código Penal (estelionato).

Após a abordagem da Polícia Civil do Espírito Santo, Diego Vinícius foi conduzido à 5ª Delegacia Regional de Guarapari e em seguida encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.