Segue apuração para apontar causa da queda do avião que levava Marília Mendonça

Segue apuração para apontar causa da queda do avião que levava Marília Mendonça
A Polícia Civil atualmente investiga se a aeronave sofreu alguma falha mecânica, e se a colisão com linhas de transmissão da Cemig colaborou para a queda do bimotor. Para isso, diligências estão sendo realizadas. Foto: Fred Magno / O Tempo

 

 

 

 

Por ALICE BRITO

 

 

 

O acidente aéreo que matou a cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas completou um mês, no último domingo (5). A investigação para descobrir o que causou a queda do avião, em Caratinga, no Vale do Rio Doce, continua.

A Polícia Civil segue duas linhas investigativas. O órgão também já descartou duas hipóteses a respeito da queda da aeronave. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ainda realiza as análises necessárias para solucionar o caso. 

A Polícia Civil atualmente investiga se a aeronave sofreu alguma falha mecânica, e se a possível colisão com as linhas de transmissão da Cemig seria capaz de motivar a queda do bimotor. Para isso, diligências estão sendo realizadas. 

Falha mecânica 

De acordo com o delegado à frente das investigações, Ivan Sales, a última oitiva realizada foi de um piloto que também pousaria no aeródromo de Caratinga. Os pilotos das duas aeronaves teriam se comunicado minutos antes da queda do avião.

“Nós avançamos com as oitivas.  Ouvimos um piloto que estava há 20 quilômetros de distância, da aeronave.  Eles conversaram no rádio. O piloto não reportou nenhum problema na aeronave. O que chama a atenção é que em determinado momento, o piloto já estava em procedimento de pouso, faltava um minuto para o pouso. Ele não pediu ajuda, assim a gente avança um pouco mais na investigação, no sentido que a aeronave não teria nenhum tipo de problema, mas só vamos ter a certeza de quando o laudo do Cenipa for concluído,” esclareceu o delegado à frente das investigações, Ivan Sales.  

Colisão com linhas de transmissão da Cemig 

Na época do acidente a Polícia Civil levantou a hipótese que o bimotor teria atingido a fiação elétrica da Cemig. Para entender até onde esse fato colaborou para a queda do bimotor, a Polícia Civil realiza a coleta de dados informativos junto com a empresa.  

“Entre as providências adotadas, está a coleta de dados informativos pela Cemig, que vem contribuindo com a elucidação dos fatos. Outras diligências, se necessárias, serão realizadas pela PCMG junto à Cemig,” disse a nota.  

Cemig 

Segundo a empresa energética, nenhum representante da companhia foi chamado para prestar depoimento. 

“As torres de distribuição da Cemig seguem rigorosamente as Normas Técnicas Brasileiras e a regulamentação em vigor. A Cemig esclarece que a Linha de Distribuição atingida pela aeronave prefixo PT-ONJ, no trágico acidente do dia 5 de novembro, está fora da zona de proteção do Aeródromo de Caratinga, nos termos de Portaria específica do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), do Comando da Aeronáutica Brasileiro,” pontuo a nota.  

Hipóteses descartadas 

A realização de exames pericias e toxicológicos com o sangue retirado dos corpos das vítimas quando ainda estavam no Instituto Médico Legal (IML) descartou duas hipóteses levantadas pela polícia.  

 Uma delas era que o piloto ou o copiloto pudessem ter feito uso de drogas ou bebidas durante o voo. Os resultados apresentaram negativo para uso de bebidas alcoólicas, drogas e doenças preexistentes. Por isso, ficou definido que todas as cinco vítimas morreram por politraumatismo contuso - múltiplas lesões em órgãos vitais, o que indica que as mortes aconteceram instantaneamente após a queda da aeronave. 

A outra hipótese descartada foi que a aeronave tivesse sido atingida por arma de fogo e o piloto tivesse sido atingido.  

"Com o desenrolar da investigação a Polícia Civil vem traçando hipóteses que assim que são descartadas nos ajudam na elucidação do caso,” disse o delegado Ivan Sales.  

Cenipa 

 Segundo a Cenipa, está em andamento a apuração do acidente, e  a conclusão das investigações terá o menor prazo possível.  

“A conclusão das investigações terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade de cada ocorrência e, ainda, da necessidade de descobrir todos os fatores contribuintes,” disse a nota.  

Relembre 

O avião que transportava a cantora Marília Mendonça, o piloto Geraldo Medeiros, o copiloto Tarcísio Viana, o produtor Henrique Bahia, o tio e assessor dela, Abciele Dias, caiu na tarde de 5 de novembro, em uma cachoeira em Caratinga, na região do Vale do Rio Doce. A cantora faria um show na cidade naquela noite