Ex-diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master são alvos de operação contra lavagem de dinheiro

Ação é desdobramento da Operação Carbono Oculto e cumpre 27 mandados de busca em sete estados

Ex-diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master são alvos de operação contra lavagem de dinheiro
Divulgação | Receita Federal

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A Receita Federal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, e forças de segurança e fiscalização de São Paulo realizam, nesta quinta-feira (24), a Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto. A ação também tem apoio dos Gaecos do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.Ao todo, são cumpridos 27 mandados de busca e apreensão contra 13 pessoas e 19 empresas. São 26 ordens em São Paulo e uma em cada um dos outros seis estados envolvidos.

Entre os alvos das buscas estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, seus irmãos, André e Bruno Tupinambá, além do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos. Mineiro é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O empresário assinou acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

A investigação apura o uso de estruturas financeiras complexas para lavar dinheiro e ocultar os verdadeiros responsáveis pela aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.Segundo os investigadores, o esquema teria começado com a ocultação dos reais proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. A empresa aparecia formalmente sob o controle de fundos de investimento e outras companhias aparentemente independentes. No entanto, a investigação aponta que essas estruturas teriam sido montadas para manter o controle econômico da usina sem revelar os verdadeiros beneficiários.

Um dos negócios analisados envolve cerca de 370 milhões de reais em direitos creditórios da usina. Segundo os levantamentos, os recursos utilizados na operação teriam vindo, em parte, de fundos controlados pelo próprio grupo investigado, criando um fluxo financeiro circular que dava aparência de legalidade à operação e dificultava a identificação dos beneficiários.

A estrutura teria sido utilizada posteriormente para viabilizar a compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. De acordo com a investigação, cerca de 100 milhões de reais enviados pela organização criminosa passaram por diversas contas de empresas e fintechs antes de chegar à usina.

O dinheiro foi então aportado em um fundo de investimento. Na sequência, o fundo adquiriu um certificado de depósito bancário vinculado, em uma operação que teria envolvido um banco tradicional e duas empresas de fachada. Essas empresas receberam crédito por meio de uma operação considerada simulada pelos investigadores e teriam sido usadas para esconder os verdadeiros financiadores e beneficiários da aquisição da distribuidora.

A investigação também identificou a utilização de fundos imobiliários para concentrar imóveis ligados aos investigados. Os bens teriam sido transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para os fundos, mantendo o controle econômico pelo grupo, mas dificultando a identificação dos proprietários.

Segundo os investigadores, fintechs, empresas sucroalcooleiras, fundos de investimento, holdings e empresas de fachada exerciam funções diferentes dentro da estrutura. As fintechs movimentavam e fragmentavam os recursos; a usina recebia os valores e os incorporava à atividade formal; os fundos atuavam como financiadores de fato; e holdings e empresas-veículo ajudavam a separar o dinheiro de sua origem e dos beneficiários finais.

Uma das empresas financeiras utilizadas nas operações movimentou cerca de 11,6 bilhões de reais entre 2021 e 2025. Para os investigadores, o volume movimentado, somado às demais evidências, reforça os indícios de que a estrutura teria sido usada para ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de capitais.

Quem é Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, alvo da Carbono Oculto?

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “mineiro”, dono da Entre Investimentos, é um dos alvos da terceira fase da operação Carbono Oculto nesta quinta-feira (24). O empresário ficou conhecido no início de setembro ao assinar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) nas investigações do Caso Master.

“Mineiro” é apontado como operador do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo revelou o jornal O Globo, o empresário era descrito como “pioneiro nas Bahamas”, por ter montado estruturas offshore no arquipélago caribenho. Na delação, Freixo afirmou que realizou sete repasses para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, administrado por Paulo Calixto, aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O dinheiro teria sido usado para o financiamento do filme ‘Dark horse’, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Posicionamento do Banco Genial

"O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.

Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.

No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época.

A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles.

Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.

A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários."