FALA DIFERENTE' Bolsonaro pressionou para que ministro da Defesa produzisse relatório ‘duro’ contra as urnas
Mauro Cid informou que ex-presidente não se conformava com idoneidade do sistema eletrônico auditado pelas Forças Armadas sob o comando do general Paulo Sérgio
BRASÍLIA - O tenente coronel Mauro Cid afirmou em depoimento ao ministro Alexandre de Moraes que o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio, foi pressionado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a escrever um relatório “duro” sobre a credibilidade das urnas eletrônicas. Segundo o militar, que foi ajudante de ordens da Presidência da República no último governo, Bolsonaro não se conformava com o resultado da auditoria promovido pelas Forças Armadas, que não havia encontrado falhas ou brechas de interferência no sistema eletrônico de votação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Cid contou a Moraes que a pressão “em cima do general Paulo Sérgio, é que ele escrevesse de forma dura o que ele tinha que escrever”.
Ministro da Defesa cancelou ida ao TSE por ordem de Bolsonaro
Na terça-feira seguinte ao segundo turno das eleições de 30 de outubro de 2022, o ministro Paulo Sérgio tinha uma audiência com Alexandre de Moraes, então presidente do TSE. Nela, ele apresentaria o resultado da auditoria. Em cima da hora, no entanto, o general cancelou o encontro justificando que teria sido chamado pelo presidente da República. O relatório só foi apresentado um mês depois. “O que aconteceu foi realmente isso. Inicialmente, o general Paulo Sérgio, a conclusão dele ia ser isso. Aí, o presidente tava pressionando para que ele escrevesse isso de outra forma, né?! Na verdade, o presidente queria que ele escrevesse que tivesse fraude. Então foi feita uma construção, uma discussão aí. E o que acabou saindo, eu acho, foi que não se poderia comprovar porque não era possível de auditar”, contou Cid. “Acabou sendo um meio termo entre o que o presidente queria e o que o general Paulo Sérgio fez com o trabalho técnico dele".
Moraes tirou sigilo da delação de Mauro Cid
Nesta quarta-feira (19), o ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo da delação do tenente-coronel Mauro Cid, figura central nas investigações sobre o ex-presidente e seus aliados.
Na mesma decisão, o magistrado concedeu um prazo de 15 dias para que as defesas dos 34 denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR), acusados de crimes como tentativa de golpe de Estado, apresentem suas manifestações por escrito ao Ministério Público Federal (MPF).Em seu despacho, Moraes argumenta que, após a denúncia apresentada na noite de terça-feira (18) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, não há mais necessidade de manter o sigilo da colaboração premiada, homologada pelo Supremo em setembro de 2023.


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