RACISMO RECREATIVO Escritório é condenado a indenizar advogado vítima de piadas racistas em grupo de WhatsApp
Vítima provou, por meio de prints, que seu sócio dizia que ele tinha 'cabelo ruim', além de associar sua imagem à de 'maconheiro' e 'traficante'
Um escritório de advocacia foi condenado pelo TRT da 2ª Região a pagar R$ 50 mil por danos morais a um advogado vítima de piadas racistas feitas em grupo de WhatsApp da empresa. Além de mostrar prints das conversas com o conteúdo ofensivo, a vítima disse, em depoimento, que o sócio falou que seu cabelo era “ruim”, e também associou sua imagem à de “maconheiro” e “traficante”. No aplicativo também havia piadas direcionadas a pessoas pretas no geral.
Além dos prints e depoimento da própria vítima, uma testemunha afirmou ter visto o sócio e outros funcionários fazendo "brincadeiras" com a cor da pele do colega.
Em sua defesa, o escritório alegou que as conversas não tinham caráter institucional e pediu que as provas documentais fossem desconsideradas. Além disso, acrescentou que o profissional tecia comentários jocosos no grupo e que estava satisfeito com o convívio com os colegas.
Diante das provas apresentadas, a juíza-relatora Soraya Lambert entendeu pela existência de racismo recreativo, que, segundo o jurista e escritor Adilson Moreira, traduz-se em "piadas racistas que mascaram, na verdade, a intenção de manter uma estrutura social que menospreza e inferioriza o povo negro". Conforme a magistrada, a conduta "exige, desta Justiça Especializada, reprimenda adequada a fim de se coibir tais condutas no ambiente de trabalho”.
O processo está em segredo de justiça, e ainda cabe recurso.


Comentários (0)
Comentários do Facebook