Bolsonaro pede adiamento de audiências de testemunhas no caso da suposta trama golpista

Defesa do ex-presidente alega que ainda não houve tempo para ter acesso ao conjunto de provas

Bolsonaro pede adiamento de audiências de testemunhas no caso da suposta trama golpista
Advogado de Jair Bolsonaro tenta novamente adiar depoimentos de testemunhas no STF –Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por O TEMPO Brasília

Publicado em 17 de maio de 2025

 

BRASÍLIA - A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o adiamento dos depoimentos das testemunhas no inquérito que investiga o suposto plano de golpe de Estado após as eleições de 2022.

As audiências estão previstas para começar na próxima segunda-feira (19) e vão até o início de junho. Bolsonaro e mais sete aliados são réus no chamado “núcleo 1” da investigação, o grupo político que estava no centro das decisões, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR).

A defesa do ex-presidente afirma que pela quantidade de provas no caso, existem dificuldades técnicas para fazer o download da íntegra do conteúdo. Segundo o advogado Celso Vilardi, foram disponibilizados três links com um total de 40 terabytes.

“Em uma conta simples, considerando uma velocidade de internet de 500 Mbps, só o download dos arquivos compactados demoraria quase 178 horas de trabalho ininterrupto. Mais de uma semana. Portanto, o efetivo acesso ao material probatório inserido nos links só será possível depois de iniciada as audiências”, diz o pedido.

Para o advogado de Bolsonaro, o período de instrução do processo, com as oitivas, que se encerra no início de junho, é insuficiente para a defesa “efetivamente” acessar as provas do processo.

Esta é a segunda tentativa da defesa de ao menos postergar os depoimentos. Na última terça-feira (13), foi apresentado um pedido de suspensão das oitivas, com o mesmo argumento.

O cronograma do STF é ouvir, primeiro, as testemunhas indicadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), autora da denúncia que tornou Bolsonaro e aliados réus. Depois, as testemunhas do tenente-coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordens do ex-presidente de delatou a suposta tentativa de golpe. 

Por último, o STF planeja ouvir as testemunhas indicadas pelos réus. Ao todo, as audiências devem ouvir 82 pessoas. Algumas delas são comuns a mais de um réu, o que deve agilizar a condução das oitivas. Todos os depoimentos serão realizados por videoconferência. 

Os depoimentos das testemunhas indicadas por Bolsonaro terão início no dia 30 de maio. A defesa escolheu 15 nomes, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; o ex-vice-presidente da República e atual senador Hamilton Mourão; e ex-comandantes das Forças Armadas, como o general Marco Antônio Freire Gomes (Exército) e o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior (Marinha).

Outros parlamentares e integrantes do governo do ex-presidente foram autorizados por Moraes a defenderem Bolsonaro. Entre eles, os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Rogério Marinho (PL-RN), o deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) e Gilson Machado, todos ex-ministros. 

Os outros indicados são Amaury Feres Saad (advogado), Wagner de Oliveira (militar), Renato de Lima França, Jonathas Assunção Salvador Nery, Ricardo Peixoto Camarinha e Giuseppe Dutra Janino.