INDÚSTRIA CNI lamenta taxas de Trump sobre aço e alumínio e vai tentar reverter cobrança

Posicionamento da Confederação Nacional da Indústria é mais duro em comparação ao emitido pela Fiemg, que vislumbra cenário de concorrência mais equilibrada

INDÚSTRIA CNI lamenta taxas de Trump sobre aço e alumínio e vai tentar reverter cobrança
Trump quer priorizar a indústria nacional, ao taxar produtos de outros países_ Foto: ANNA MONEY/ MAKER GETTY IMAGES AMÉRICA DO NORTE / Getty Images via AFP

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) foi mais uma entidade a subir o tom contra a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em taxar as importações de aço e alumínio no país. O percentual será de 25% e, conforme a medida atinge diretamente a indústria brasileira e os possíveis impactos dela decorrentes causam enorme preocupação ao país. A apreensão do setor industrial se dá pelo fato de o Brasil ser o quarto maior fornecedor de ferro e aço aos EUA. Ao todo, 54% das exportações brasileiras desses produtos são para os norte-americanos. O posicionamento da CNI veio de forma mais dura do que o emitido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que vislumbra um cenário de concorrência mais equilibrada entre os países com o decreto de Trump. 

 

Conforme nota enviada à imprensa, a CNI afirmou que vai acompanhar a implementação das taxas e vai buscar um diálogo, por meio do governo federal, com a Casa Branca para reverter a taxação. As cobranças vão entrar em vigor no dia 12 de março. O presidente da CNI, Ricardo Alban, citou que a medida é prejudicial para a indústria dos dois países e afirmou que há caminhos para que as taxas sejam derrubadas. 

 

“Temos todo o interesse em manter a melhor relação comercial com os EUA, que hoje são o principal destino dos produtos manufaturados do Brasil, mas precisamos conciliar os interesses dos setores produtivos dos dois países”, salientou o presidente da CNI, Ricardo Alban. O dirigente da CNI ainda frisou que a parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos é estratégica para a indústria brasileira, em função de fluxos comerciais e de investimentos diversificados. “A CNI trabalha para aprofundar essa relação por meio de uma agenda voltada ao fortalecimento do relacionamento bilateral e da integração internacional”, completou o presidente da CNI, ao pedir um trabalho do Brasil voltado à construção de alternativas e consensuais para preservar a relação entre os países.

 

Além dos Estados Unidos, os demais principais parceiros comerciais do Brasil na exportação de produtos de ferro e aço citados no decreto presidencial das tarifas incluem México (4,6% do valor exportado), Canadá (3,7%), Peru (2,7%), República Dominicana (2,7%) e França (2,3%).

 

Exportações 

As exportações industriais são essenciais para o crescimento econômico e o fortalecimento da competitividade do Brasil, por isso a medida anunciada pelo governo norte-americano causa apreensão ao setor, conforme a CNI. Os Estados Unidos são o principal parceiro do Brasil nas exportações da indústria de transformação,especialmente de produtos com maior intensidade tecnológica, comércio de serviços e investimentos bilaterais. Em 2024, a indústria de transformação brasileira exportou aos EUA US$ 31,6 bilhões em produtos. “É importante destacar que o Brasil não representa uma ameaça comercial para os Estados Unidos. A balança comercial entre os países é, desde 2008, favorável aos americanos, ao contrário do que ocorre entre os EUA e Canadá, China e México. Em 2024, o Brasil exportou US$ 40,4 bilhões e importou US$ 40,7 bilhões”, frisou a CNI. 

 

Outro ponto que precisa ser levado em consideração é que as exportações brasileiras, em especial no caso do aço, são complementares à cadeia produtiva lá existente, lembrou a Confederação. “Os produtos exportados pelo Brasil não são concorrentes com a produção norte-americana. Dessa forma, uma consequência direta da medida anunciada pelos Estados Unidos será o aumento de custos para os produtores norte-americanos”, diz a nota. 

 

Segundo a CNI, apenas a médio e longo prazo é que se poderia pensar em um processo de substituição das importações por produção interna nos EUA. De acordo com a Associação Brasileira do Alumínio (Abal), 16,8% das exportações brasileiras do metal têm como destino os EUA. Esse mercado movimentou US$ 267 milhões do total de US$ 1,5 bilhão exportado pelo setor em 2024.Em termos de volume, os EUA foram o destino de 13,5% do total (72,4 mil toneladas) das exportações brasileiras de produtos de alumínio. Com a implementação da sobretaxa, o alumínio brasileiro se tornará significativamente menos atrativo comercialmente. 

“Além dos impactos na balança comercial, outra preocupação são os efeitos indiretos associados ao aumento da exposição do Brasil aos desvios de comércio e à concorrência desleal. Produtos de outras origens que perderem acesso ao mercado norte-americano buscarão novos destinos, incluindo o Brasil, e podem saturar o mercado interno de produtos a preços desleais”, alertou a CNI.  

 

Segundo o Instituto Aço Brasil, especificamente em relação ao comércio dos principais itens da cadeia do aço – carvão, aço e máquinas e equipamentos - EUA e Brasil detêm uma corrente de comércio de US$ 7,6 bilhões, sendo os Estados Unidos superavitários em US$ 3 bilhões.

 

Considerando os produtos de 29 categorias do aço, foram exportados US$ 4,14 bilhões do Brasil para os EUA em 2024, o que representa o envio de 5,81 bilhões de quilos de aço ao país, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). 

 

“O caminho do diálogo, portanto, é preferencial a medidas de retaliação que podem prejudicar outros setores produtivos cuja importação de produtos norte-americanos seja importante para a produção brasileira”, finaliza Ricardo Alban.