Com vitória de Rodrigo Pacheco, Minas recupera protagonismo

Posição pode ajudar na liberação de recursos para obras necessárias ao Estado

Com vitória de Rodrigo Pacheco, Minas recupera protagonismo
Foto: Agência Senado

 

Por HUMBERTO SANTOS

 

A eleição de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para a presidência do Senado recoloca o Estado no protagonismo da política nacional. Ontem, ele foi alçado ao cargo ao vencer Simone Tebet (MDB-MS) por 57 a 21. Como presidente do Senado, ele também comanda as sessões do Congresso Nacional.

A última vez que um senador pelo Estado presidiu a Casa foi com o ex-governador Magalhães Pinto, no biênio 1975-1977. Já a última vez que um mineiro presidiu uma das Casas Legislativas foi com o então deputado federal Aécio Neves (PSDB), que comandou a Câmara entre 2001 e 2002, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ocupava o Palácio do Planalto.

Ao comandar o Senado nos próximos dois anos, Pacheco terá a oportunidade de pautar temas importantes para o país, como as reformas tributária e administrativa, um novo auxílio emergencial e propostas que possam aumentar a geração de empregos.

O comando do Senado pode ajudar significativamente a bancada mineira a conseguir aumentar seu peso nas negociações por verbas para Minas Gerais junto ao Poder Executivo. Cabe ao Congresso a definição dos recursos distribuídos no Orçamento de cada ano e nas duas últimas décadas, o Estado foi pouco contemplado em termos de obras.

Com a segunda maior bancada na Câmara e a presidência do Senado, a expectativa de lideranças mineiras é que Minas tenha um peso maior nas decisões orçamentárias e de investimentos, com a liberação de verbas para obras como a conclusão da duplicação da BR–381, ampliação do metrô de Belo Horizonte e pavimentação de BRs que estão em más condições espalhadas pelo Estado.

Sua eleição também mexe com o tabuleiro eleitoral do ano que vem: nome apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), cabe a Pacheco colocar em votação propostas de interesse do Executivo. A votação desses temas pode ser fundamental na campanha de reeleição do chefe do Executivo.

Além disso, com a provável saída de Rodrigo Maia do DEM, Pacheco se torna um dos “caciques” da legenda, com capital político para influenciar o lançamento de candidatura própria ou aliança com outras siglas para a disputa ao Planalto.

Localmente, Pacheco terá voz na definição de uma candidatura ao governo do Estado. Para receber o apoio da bancada do PSD no Senado, Pacheco teria se comprometido a não disputar o Palácio Tiradentes. Isso pode beneficiar a candidatura do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), ao governo de Minas. O apoio do presidente do Senado pode fazer a diferença na disputa, principalmente se até lá ele conseguir aprovar medidas que resultem em recursos e investimentos no Estado.

TRAJETÓRIA

Ex-deputado federal por Minas, Pacheco é presidente do DEM no Estado e líder da sigla no Senado e está em seu primeiro mandato na Casa, tendo sido eleito em 2018 com pouco mais de 3,6 milhões de votos. Enquanto deputado federal, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Em 2016, disputou a Prefeitura de Belo Horizonte e por pouco não foi para o segundo turno para enfrentar Kalil.

De perfil liberal, votou alinhado com o governo nas matérias econômicas, mas contrariou nas pautas de costume. Foi a favor, por exemplo, do decreto legislativo que derrubou os efeitos de uma norma que flexibilizou o porte de armas.

Durante a campanha, defendeu a prorrogação do auxílio emergencial, mesmo que significasse furar o teto de gastos. Por outro lado, evitou fazer críticas à condução do governo no enfrentamento da pandemia.